sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Assim, num curto espaço não curto mais...

Assim.

ASSIM, NUM CURTO ESPAÇO
DE TEMPO NÃO MEDIDO
MAS QUE SE SABE
DE ANTEMÃO SER CURTO
PORQUE NÃO DURA NEM
DOIS SUSPIROS
DESCOBRI
QUE NÃO TE CURTO MAIS

ASSIM, TIVE A CERTEZA
QUE ESSE DESAMOR JÁ AMADURECIA
HÁ TEMPOS,
DENTRO DO MEU EU SOMBRIO
SEM LEMBRANÇA.

ASSIM, NO CALOR DE MEUS
PENSAMENTOS DE PRIMEIRA MÃO
VI QUE VOCÊ ERA PARA MIM
DE SEGUNDA MÃO

DO ABANDONO QUE VOCÊ
ME DEDICAVA
ME VI SOLTA DAS AMARRAS
PUÍDAS DO SEU COLARINHO
DE LINHO

ASSIM, QUERENDO SER MAS NA VERDADE
SEM SER
DESCOBRI QUE TEU CALOR
NÃO ME ABIGAVA MAIS.

ASSIM, NUM CURTO ESPAÇO
DE TEMPO SÓLIDO OU LÍQUIDO
GASOSSO OU FUMEGANTE
DESCOBRI
QUE NÃO TE CURTO MAIS.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aproximei-me de Ti

Tudo o que eu precisaria
Era de aproximar-me de ti.
Chegar-me devagar
Arrastar-me sem que você percebesse,
Sentir aquele seu perfume
de frutas amadeiradas
Do oriente?
Do ocidente?
Do sol poente?

Sentir que nada mais
me impediria de distinguir
teus cheiros de outros cheiros
-Doce tentação!

Mas como fazê-lo
sem demonstrar
O interesse surdo
e calado
surdo-mudo guardado?

A ponta do queixo inclinada

Teimava em dizer tudo
o que eu insistia, em vão,
em tentar esconder.

Tenho paixão por nucas
Nucas cheias de cantos
Curvas desencantos,
Nucas que tudo dizem
Pela mera inclinação
Pelos suores
Pelos fios desalinhados
Dos cabelos em desconforto.

E tua nuca era a mais
linda nuca de todas as nucas
criadas no mundo,
aliada ao teu perfume
que já fazia parte de mim.

Tudo o que eu queria
E sabia que precisava,
Era  aproximar-me de ti
Sentir de perto a tua boca aveludada
E teu perfume de marfim.
No entanto, teimava em me fazer esconder
os sentimentos escancarados,
à despeito de meu desejo louco
de entesourá-los
em minha caixa de bilhetes,
anotações e agulhas.
que espetavam meus dedos
loucos de te tocar e de
te cheirar
que me feriam na minha covardia

E me conformei
Em só te deixar passar
Largando aquele perfume
transitando com aquela nuca
mostrando aquela boca louca
desperta,aveludada.
E mais nada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Acessando o Sucesso

Uma coisa que eu sempre gostei
É de escrever à esmo. Assim, como quem nada quer ou tudo pretende.
Lançar as palavras, jogar as palavras que jorram,
sempre abundantes, em minha mente.
E nesse mister cato caquinhos cristalizados lá detrás da alma
que ora flutuam ora teimam em mergulhar no fundo da minha alma
Mas se mantém quais cristais, ora me incomodando, ora me inspirando.
E não é à toa que eu os percebo, pois embora estejam sempre presentes,
seguidamente, frequentemente, se transmutam em coisas, ora sérias, ora galhofeiras.
Essa é a minha alma. E eu cato os cristais como um garimpeiro do ritmo borbulhante
do meu pensamento.
Cato e orno minhas palavras com eles, em ritmos ora frenéticos, ora de tão lentos que parecem
se arrastar pelos mundos equidistantes, se encontrando com mundos de pessoas que conheço e que não conheço, em danças fantasmagóricas.
Essa sou eu: não melhor nem pior do que qualquer um, mas certamente mais ousada do que a maioria, pois lança essas palavras em ambientes variados, sem se preocupar com a repercussão desses lançamentos. Planta as palavras, cultiva as palavras, espreme as palavras, encaixa as frases, num quebracabeças que nem sempre faz muito sentido.
Hoje estou um pouco vazia, nesse ofício de escrever mas mesmo assim teimo em fazê-lo, numa segurança incrível de que o resultado desse jorrar de frases terá um efeito legal, às vezes até perfeito, como se fosse uma psicografia literária. Arre! Ufa! Esta certamente sou eu: ousada e nada prática, buscando, buscando, nem sempre encontrando, mas que quando encontro, o resultado é muito bom mesmo! Cansei de viajar em mim. Até mais tarde ou outro dia. Gostou? Pois sempre terá algo beirando a loucura por aqui. Mesmo que eu seja comum, sinto que minha essência não é.. e é minha essência que lançarei sempre aqui!